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Trânsito de SP mata menos motociclistas, mas mantém média de 1 por dia

A capital paulista mantém a média de um motociclista morto no trânsito por dia. Ao todo, 211 perderam a vida em acidentes nas ruas no primeiro semestre deste ano, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Trata-se do primeiro balanço divulgado neste ano sobre a situação dos acidentes com motos em São Paulo. Em comparação ao mesmo período de 2011, houve 64 mortes a menos.

Em nota, a CET atribuiu a queda a uma série de fatores, entre eles o recente aperto na fiscalização e a proibição da circulação de motos nas pistas expressas da marginal Tietê, em vigor desde agosto de 2010.

Neste ano, entraram em funcionamento 19 radares instalados na lateral de viadutos e passarelas em vias como a Aricanduva e a Radial Leste, além de seis equipamentos portáteis. Todos têm a mesma função: inibir o excesso de velocidade sobretudo em locais movimentados.

Apenas os portáteis, apelidados de "radar pistola", flagraram 31,8 mil motociclistas transitando acima da velocidade permitida, de 26 de março até o dia 13 de agosto. Também no mês passado, a CET renovou, por R$ 452 mil, o contrato de locação dos equipamentos. Agora, poderá utilizá-los por mais um ano.

Com os radares portáteis, os agentes da CET já flagraram motos circulando a mais de 100 km por hora durante o dia. Na manhã de 13 de agosto, uma segunda-feira, um motociclista foi autuado ao passar na avenida Salim Farah Maluf, na zona leste, a 108 km/h, quase o dobro do permitido na via.

No mesmo dia, num intervalo de quatro minutos, dois motociclistas também ignoraram a lei, desta vez na marginal Pinheiros, na zona sul. Um trafegava a 107 km/h e o outro, a 101 km/h.

Segundo o presidente do Sindicato dos Motoboys de São Paulo, Gilberto Almeida dos Santos, a fiscalização tem irritado motociclistas. "Eles estão reclamando, dizendo que estão tomando muita multa. Mas, na realidade, não têm o que alegar. Quem não quer tomar multa tem de respeitar o limite de velocidade."

"Não para entender que uma moto possa transitar a essa velocidade em meio a outros veículos", critica o médico Dirceu Rodrigues Alves Júnior, da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego). "Já com baixa velocidade, é arriscado, imagina a 100 km/h."

"Ele está colocando em perigo a vida dele e de outras pessoas", avalia o professor Jaime Waisman, do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica da USP. "Um impacto a mais de 100 km/h é um negócio muito sério. A probabilidade de ele escapar [com vida], mesmo com capacete, é muito pequena."

Para Waisman, fiscalizar, multar e criar ações educativas são os meios existentes para manter a redução do número de acidentes com motociclistas. "Não tem solução mágica porque são adultos, teoricamente eles conhecem os riscos."

FONTE: Folha de S.Paulo

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